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A febre dos podcasts

07/06/2022 || Compartilhe:

Por Thiago Almada – cofundador e CCO da Apex.

O ano era 2018 e eu me lembro claramente quando os conteúdos em áudio começaram a ganhar cada vez mais espaço nas estratégias de marketing. Com a explosão do Marketing de Conteúdo e a verdadeira enxurrada de informações por todos os cantos da internet, o áudio surgiu como um facilitador do consumo desenfreado de notícias pelo público. A leitura tornava-se quase inviável, em face da alta velocidade da informação e da certa letargia que acometia a sociedade.

Se por um lado a informação se tornava um vício e as métricas de engajamento eram promissoras para áudio, por outro, o volume quase imensurável de conteúdo fazia o cidadão andar na contramão do consumo seletivo. Isto é, ao mesmo tempo que se consumia tudo, não se mergulhava, de fato, no conhecimento aprofundado em nada.

Primeiro, os posts narrados surgiram como uma alternativa à leitura de artigos e blogposts, mesmo que fossem de poucos minutos. Em seguida, audiobooks começaram a ganhar tração. Enfim, os podcasts se estabilizaram como o ápice do conteúdo em áudio. Principalmente, com a pandemia da COVID-19, o consumo de podcasts disparou e o Brasil, hoje, é o 5º país no ranking mundial de crescimento de podcasts, com mais de 30 milhões de ouvintes.

A grande problemática gira em torno, justamente, da saturação que toma conta de tudo que rapidamente se expande no marketing. Se há demanda, pode ter certeza de que a oferta vai aumentar até o ponto de inundar o mercado. E aí, você acaba se deparando com o mesmo problema de antes: uma enxurrada de informações por áudio que afoga o público da mesma maneira que o conteúdo escrito.

Então, o que foi criado como uma alternativa seletiva para a invasão em massa do conteúdo escrito, só foi substituída por outra invasão: a dos podcasts. Não vou nem abordar o tema já muito debatido da retração da leitura na sociedade como um todo, porque, sim, eu acredito que nada substitui o poder da palavra escrita. Mas o mérito aqui é que acabamos trocando seis por meia dúzia e o público continua perdido em um mar de podcasts que inevitavelmente traz conteúdos primorosos versus a conteúdos verdadeiramente deploráveis. Quem vai conseguir selecionar o joio do trigo, afinal? Normalmente, o tempo aliado à competência, é quem vai responder.